Médicos de vários países começaram a olhar para os remédios da família GLP-1, como a semaglutida, por um efeito que vai além da balança: a bebida. Pacientes contam com frequência que perderam a vontade de beber depois de começar o tratamento, e agora há estudos controlados testando essa observação.
O estudo mais robusto até agora
Um grupo de Copenhague, na Dinamarca, acompanhou 108 adultos com transtorno por uso de álcool e obesidade. Metade recebeu semaglutida 2,4 mg por semana e metade recebeu placebo, durante 26 semanas. Todos também fizeram terapia (cognitivo-comportamental). O resultado saiu na revista The Lancet em maio de 2026:
- A proporção de dias de consumo pesado caiu 41,1 pontos percentuais com a semaglutida, contra 26,4 no placebo.
- O consumo total no mês caiu de cerca de 2.200 g de álcool para 650 g em média com o remédio, contra 1.175 g no placebo.
Por que isso acontece
A hipótese principal é que o GLP-1 atua em áreas do cérebro ligadas à recompensa. A mesma via que diminui a vontade de comer parece diminuir o prazer e o impulso de beber.
O que ainda falta
O estudo é pequeno, foi feito em um único centro, só com pessoas com obesidade, e foi financiado pela fundação ligada à fabricante do remédio. A semaglutida não é aprovada para tratar alcoolismo; já existem remédios aprovados para isso, como naltrexona e acamprosato.